Um título e um recorde para a história da Fórmula 1
Andrea ‘Kimi’ Antonelli resgatou a moral dos pilotos italianos na Fórmula 1. Setenta e três anos após o bicampeonato de Alberto Ascari (1953, Maserati), a Itália volta a ter um legítimo e incontestável campeão mundial. Antonelli estabeleceu nova marca para os vencedores com menos idade. Antes de Kimi, o piloto mais jovem a conquistar o título era o alemão Sebastian Vettel, com 23 anos, 4 meses e 11 dias (2010). Antonelli tem 20 anos, 2 meses e 7 dias. Não será fácil superar essa marca. A Mercedes volta a ter um campeão mundial depois de 6 anos. O último foi Lewis Hamilton, em 2020. Domingo, em Interlagos, Antonelli fará sua primeira corrida como campeão mundial, no Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1.
O GP do México, neste domingo (1/11), teve um pódio à altura da conquista de um novo campeão. São três pilotos de gerações distintas: Max Verstappen, o vencedor, Lewis Hamilton (2º) e Kimi Antonelli, o novo campeão mundial, em 3º. No total, 12 títulos mundiais e189 vitórias. A marca é um recorde na F1, superando os 11 títulos do pódio do GP da Austrália de 2023 com Max Verstappen, Lewis Hamilton e Fernando Alonso que, naquele ano, somavam 11 títulos.
Para garantir a conquista, Kimi Antonelli fez uma corrida cautelosa. Largou em 4º e terminou em 3º, sem se envolver em pequenas confusões, como a de Charles Leclerc que tirou Lewis Hamilton da pista na largada e foi punido com 5 segundos. Ou George Russell, que reunia chances aritméticas para o título, e foi punido com 10 segundos depois de atingir a Red Bull de Isack Hadjar. Uma batida feia de Valtteri Bottas na proteção, por conta de uma roda solta, obrigou a interrupção da corrida na 47ª volta. Na relargada, Max Verstappen garantiu a ponta, seguido por Lewis Hamilton e Kimi Antonelli até a bandeirada. Com as punições de Oscar Piastri, Pierre Gasly e Franco Colapinto, Gabriel Bortoleto terminou em 8º, ganhando mais 4 pontos, ultrapassando seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, na classificação do campeonato.
Com o triunfo em sua segunda temporada – Antonelli assumiu o lugar de Lewis Hamilton, na Mercedes, em 2025 – o piloto italiano passa a fazer parte de um seleto grupo. Os únicos a realizarem este feito foram Juan Manuel Fangio (estreia em 1950 e título em 1951), Jacques Villeneuve (estreia em 1996 e título em 1997) e Lewis Hamilton (estreia em 2007 e título em 2008).
Para chegar ao título, Antonelli venceu 9 corridas (China, Japão, Miami, Canadá, Mônaco, Bélgica, Itália, Espanha, Estados Unidos). E cravou 7 poles (China, Japão, Miami, Mônaco, Grã-Bretanha, Bélgica e Estados Unidos). Antonelli foi o primeiro na corrida sprint em Silverstone, durante o GP da Grã-Bretanha.
Italiano de Bolonha, na Emilia-Romagna, a menos de 50 quilômetros de Maranello (a mítica sede da Ferrari) e a 40 quilômetros de Imola, Andrea Antonelli começou no kart aos 7 anos, conquistou bicampeonato europeu, venceu o campeonato italiano de F4 e tornou-se piloto júnior da Mercedes, chegando à F1 em 2025. Concluiu o campeonato em 7º lugar. Sua melhor atuação foi no GP São Paulo de F1, subindo ao pódio em 2º lugar, conseguindo segurar Max Verstappen, que terminou em 3º.
Por conta de desavenças com a equipe Haas, o piloto Esteban Ocon foi afastado da corrida no circuito Hermanos Rodriguez e substituído pelo piloto reserva Ryo Hirakawa. Ocon não deverá disputar o resto do campeonato. Hirakawa ou Jack Doohan deverão fazer as corridas restantes. Em 2027, a vaga de Ocon na Haas ficará com o pernambucano Rafael Câmara.
O autor Castilho de Andrade
Jornalista especializado em automobilismo e diretor de imprensa do Fórmula 1 Grande Prêmio de São Paulo.