Em Miami, a Fórmula 1 muda para atender aos pilotos.
Depois de três reuniões durante o mês de abril, dirigentes da Federação Internacional de Automobilismo e das equipes decidiram mudar alguns dispositivos técnicos ligados ao controle de energia nos carros. No próximo final de semana, na corrida de Miami, haverá o primeiro teste. O GP de Miami será disputado neste domingo, 3/5, a partir das 17h (hora de Brasília), com transmissão ao vivo pela SporTV 3, Globoplay e BandNews FM. No sábado, a sprint começa às 13h e o treino de classificação às 17h.
Para garantir a adaptação às mudanças, a F1 aumentou de 60 para 90 minutos o treino livre de sexta-feira. Com a corrida sprint, o GP terá um único treino livre no final de semana. Os organizadores do GP temem a possível chegada de uma tempestade de pré-verão durante o evento.
As alterações técnicas pretendem evitar que os pilotos passem todo o tempo preocupados em manter a energia do propulsor elétrico do motor (50% da unidade de potência), prejudicando a forma de conduzir o monoposto. E, também, para garantir o máximo de velocidade possível durante a classificação.
1 – Treino de classificação. A quantidade máxima de recarga foi reduzida de 8 para 7 megajoules (MJ). No Japão, ela já tinha caído de 9 para 8 MJ. Com isso, em tese, os pilotos poderiam acelerar fundo, sem a preocupação de administrar a quantidade de energia. Ao mesmo tempo, a potência máxima no superclippping (uso da parte elétrica para alimentar a bateria) subirá de 250 para 350 kw, reduzindo o tempo de recarga. O recurso também valerá para a corrida.
2 – Corrida. O limite de potência liberada com o uso do botão do boost passa a ser limitada em 150 kw. Dessa forma, a regra pretende evitar diferenças de velocidade como a que envolveu Franco Colapinto e Ollie Berman na corrida do Japão.
3 – Largada. A FIA desenvolveu um sistema para detectar os carros com aceleração baixa. Quando isso ocorrer, o MGU-K (responsável pela concentração de energia cinética) será acionado, possibilitando a recuperação da aceleração necessária.
4 – Corridas com pista molhada. Redução do uso de recuperação de energia e aumento de temperatura das mantas sobre os pneus para permitir mais aderência.
O GP de Miami deveria ser a 6ª etapa do Mundial, mas com o adiamento das corridas do Bahrein e Arábia Saudita por causa da guerra no Golfo Pérsico, passou a ser a 4ª. As duas provas adiadas ainda poderão ser realocadas no final da temporada. Com o adiamento das duas etapas, a FIA decidiu realizar, pela primeira vez, as corridas de F3 e F2 nas provas de Miami e Montreal. Na F3 correm os brasileiros Fefo Barrichello e Pedro Clerot; na F2, Emmo Fittipaldi e Rafael Câmara.
O autor Castilho de Andrade
Jornalista especializado em automobilismo e diretor de imprensa do Fórmula 1 Grande Prêmio de São Paulo.