A Fórmula 1 está de volta. Austrália é o primeiro capítulo
Melbourne vai receber a nova Fórmula 1 2026 no próximo final de semana. Com dúvidas e possíveis mudanças do regulamento ao longo da temporada, a referência mais recente são os testes realizados no Bahrein, onde Mercedes, Ferrari e McLaren mostraram mais competência. A Cadillac estreará na categoria como a 11ª equipe. A TV Globo, Sportv 3, Sportv 4k, Globoplay e BandNews FM transmitem a corrida ao vivo, na madrugada de sábado para domingo, a partir da 1h00 (hora de Brasília). O treino de classificação, na madrugada de sexta para sábado, começa às 2h00.
A tomada de tempos, que estabelecerá o grid de largada, apresenta mudanças em relação ao ano passado. Com 22 pilotos, 6 serão eliminados no Q1 (duração de 18 minutos), mais 6 cairão no Q2 (15 minutos) e o Q3 (13 minutos) continuará com os 10 mais rápidos. O intervalo entre o Q2 e o Q3 será de 7 minutos.
A gestão de energia e a taxa de compressão das unidades de potência são os assuntos que dominam os bastidores da F1. Agora, os motores trabalham com 50% de combustão e 50% de eletricidade. A forma de pilotar os carros determinará o melhor aproveitamento da energia e a forma de recuperá-la ao longo da prova. A maioria dos pilotos considera que a tarefa não será fácil. E os dirigentes, dependendo do que acontecer nas primeiras corridas, admitem mudar a proporção de 50 a 50 para 55 a 45 ou até 60 a 40. A questão da energia será crucial para aumentar o número de ultrapassagens, objetivo primordial com as novas regras.
A questão da potência deverá ser resolvida a partir do GP de Mônaco, em junho, quando as medições deverão ser feitas tanto com os motores frios como também quentes (130 graus). A suspeita é que o motor Mercedes teria uma taxa de compressão de 18:1, acima do limite estipulado de 16:1.
Na pista, a responsabilidade da Aston Martin será grande. O projeto de Adrian Newey, equipado com motor Honda, decepcionou nos testes, deixando a dupla formada por Fernando Alonso e Lance Stroll sem maiores esperanças. Vibração e falta de peças sobressalentes estariam comprometendo todo o trabalho. Não será surpresa se os dois carros da equipe largarem e abandonarem a corrida algumas voltas depois. No sentido inverso, a Ferrari foi bem e desde que chegou à escuderia, no ano passado, essa pode ser a primeira grande oportunidade para o heptacampeão Lewis Hamilton demonstrar seu talento pela escuderia.
Lando Norris, campeão de 2025, e seu companheiro, Oscar Piastri, estão seguros de que a McLaren estará na disputa por vitórias e, possivelmente, por mais um título mundial.
Já Max Verstappen, aventando a hipótese de deixar a F1 em futuro próximo (não há data prevista), é uma incógnita. A Red Bull correrá pela primeira com motor Ford e a confiabilidade será testada a partir deste domingo.
Para o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto a situação é otimista. A Audi (ex-equipe Sauber), fazendo sua estreia com motor próprio, rendeu o esperado nos testes e deve continuar evoluindo a cada corrida.
A Cadillac, com Valtteri Bottas e Sergio Perez, não alimenta sonhos. Quer ganhar experiência para, a partir de 2028, correr com um motor desenvolvido pela General Motors.
O calendário do Mundial de F1 2026 poderá ser alterado em função da guerra no Oriente Médio. As corridas do Bahrein e Arábia Saudita correm o risco de serem canceladas. No caso, a princípio, seriam substituídas por Portimão, em Portugal, e Ímola, na Itália.
O autor Castilho de Andrade
Jornalista especializado em automobilismo e diretor de imprensa do Fórmula 1 Grande Prêmio de São Paulo.