A Itália tem um piloto: Antonelli! E a F1 deve mudar.
Kimi Antonelli, Mercedes, saiu da pole position para vencer o GP do Japão na madrugada deste domingo (29/3). Marcou a volta mais rápida da prova – 1min32s432 – e tornou-se o piloto mais jovem a liderar o Mundial de F1 (19 anos, 07 meses e 04 dias), superando Lewis Hamilton (22 anos, 04 meses e 06 dias). Oscar Piatri, McLaren, fez ótima corrida chegando em 2º e foi eleito o piloto do dia. Charles Leclerc, Ferrari, completou o pódio. Sem potência no motor Audi e problemas no câmbio, Gabriel Bortoleto foi apenas o 13º colocado. A F1 retorna no dia 3 de maio em Miami, possivelmente com mudanças técnicas.
A Itália, um dos países onde a F1 é mais popular, está empolgada com Kimi Antonelli. O último campeão mundial do país foi o lendário Alberto Ascari em 1953. Quem chegou mais perto foi Riccardo Patrese, vice-campeão na temporada de 1992 quando Nigel Mansell conquistou o título. A última vitória de um piloto italiano na F1 foi Giancarlo Fisichella, em 2006, na Malásia. Os torcedores italianos, os tifosi, já fazem campanha nas redes sociais para a Ferrari contratar o jovem piloto. O que não será fácil. Depois de três etapas, Antonelli soma 72 pontos contra 63 de seu companheiro de equipe, George Russell. No Mundial de Construtores, a Mercedes lidera com 135 pontos e a Ferrari está em 2º com 90.
Piastri mereceu a votação de ‘Driver of the Day’. Agressivo, ultrapassou as Mercedes, dando a impressão de que mudaria o rumo atual da F1. A largada determinou uma corrida bem movimentada. Antonelli teve uma pane na largada e perdeu 5 posições. Recuperado passou ao ataque envolvendo também os pilotos da McLaren – Oscar Piastri e Lando Norris – e ainda Lewis Hamilton e Charles Leclerc.
O safety car no acidente com Ollie Bearman na 22ª das 53 voltas, que bateu a 262 km/h na curva Spoon, foi capital para a vitória de Antonelli.
O acidente de Bearman poderá ser um divisor de águas nas mudanças técnicas que a F1 introduziu nessa temporada de 2026. Bearman bateu porque foi surpreendido ao preparar a ultrapassagem sobre Franco Colapinto. A Alpine do piloto argentino estava cerca 50km/h mais lenta – o piloto estava recarregando a bateria – e para evitar o choque, Bearman jogou a Haas na grama, perdendo o controle. Como consequência sofreu uma contusão no tornozelo direito.
A diferença de aceleração entre a Haas e a Alpine é o resultado da maneira pela qual os pilotos gerenciam a potência do motor transmitida pelo dispositivo elétrico.
Após a corrida, a FIA divulgou uma posição oficial, reconhecendo a necessidade de discutir o funcionamento das unidades de potência. Os ‘parâmetros ajustáveis’ deverão ser discutidos em reuniões com as equipes durante o mês de abril, justificando que a segurança é crucial na categoria. Possivelmente, na volta da F1 em Miami, as regras atuais sofrerão alguma alteração.
O autor Castilho de Andrade
Jornalista especializado em automobilismo e diretor de imprensa do Fórmula 1 Grande Prêmio de São Paulo.